12 setembro 2017

Carta em Branco: Uma carta sobre minha liberdade


Ouvindo: Respeita as mina - Kell Smith

E cá estou eu, fazendo aquilo que me neguei a fazer por tanto tempo. Te escrevo essa carta hoje, pra te provar tudo aquilo que você não acreditava que eu seria capaz. Tudo aquilo que por tanto tempo você duvidou. Te escrevo pra te provar mais uma vez que a vida não sorriu pro meu lado por sorte; ela sempre esteve comigo.

Desde que a fé em mim aumentou, eu deixei de acreditar nos seus comentários negativos. Deixei sua falta de coragem de tentar de novo e de fracassar de lado, e me vi quebrando a cara tantas vezes que hoje ela tem uma armadura indestrutível. Deixei tudo aquilo que você colocava na minha cabeça, falando que aquilo não era pra mim e que a minha capacidade era pra coisas menores e inferiores. Tudo aquilo que eu ouvia, que jurava eu ser um elogio, hoje, pertence a uma parte de mim que desconheço. 

Eu deixei pra trás todas as rosas manchadas com o sangue da tua falsa crença na minha pessoa murcharem, e plantei um jardim dentro da minha alma. Toda vez que olho pra uma rosa e vejo uma pétala cair, eu lembro de todas as vezes que você tentou fazer algum comentário construtivo pra minha vida e não conseguiu. Eu lembro de todas as vezes que você tentou me colocar pra baixo, me forçar a entrar um padrão a qual eu fui feita para quebrar.

Nunca te vi reconhecer todo sangue e suor que coloquei em cada coisa que fiz, e hoje o sangue estampa meu rosto em símbolo de revolução. Eu me reaprendi, e aprendi o verdadeiro significado de vida. Me levantei com todos os ferimentos roxos e todas as cicatrizes que eu ganhava cada vez que te encontrava. Aprendi a me erguer mesmo com todos os assedios ecoando dentro da minha cabeça, toda vez que eu entrava e saia do metrô. Aprendi a ser a puta que falavam que eu era por causa do meu short curto em um calor infernal. Me ensinei a levantar a cabeça e correr atrás do que é meu, e não deixar tomarem meu lugar porque eu "sou mulher". Eu aprendi a me dar o valor que você nunca me deu. 
Aprendi que eu tenho voz e que com ela eu posso mudar o mundo.

Aprendi que meu corpo tem minhas regras e que qualquer comentário que tu fizer não tem a mínima condição de fragmentar uma parte dele. Aprendi que dá luta vem a vitória e que tudo que eu tenho hoje foi parte de uma disputa constante entre o que eu realmente sou e o que queriam que eu fosse. Queriam me prender em pias, cintas, cozinhas, secretárias e modelos de roupa. 
Quando fui feita pra ser mundo. 
Pra ser obra prima de se apreciar com minhas estrias, celulites e gordurinhas as quais você nunca suportou. Ou com a "falta de carne" a qual você odiava por parecer esquelética.
Aprendi que meu corpo é minha casa e minha mente é meu porto seguro. Que minha integridade não pertence a ninguém e que meu caráter não é definido por roupa. 

Eu quero meu lugar. Quero minha liberdade de andar na rua a noite sem medo. Quero a liberdade de simplesmente ser mulher.

E tô aqui pra te dizer, que esse preconceito que você insiste em chamar de normal, é apenas uma cultura idiota a qual vai se quebrar em breve. Tô aqui pra te dizer, que meu lugar é onde eu quiser e que em uma sociedade que lucra com a falta de fé em mim, a minha rebelião é amar a mim mesma.

Porque lugar de mulher, é onde ela quiser.
Lugar de mulher, é na revolução.
Porque ela não vai parar, 
Até quando você ouvir falar de um estupro, e parar de falar que a culpa era da vítima por usar roupa curta.

Somos as netas das bruxas que vocês não conseguiram queimar.
E eu vou usar a minha voz, até meu grito ser um brado de liberdade.

Para: A sociedade.
Atenciosamente, todas as Fridas e Marias que foram silenciadas (mas não agora).

Porque eu sou Frida, mas não me Kahlo.

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