09 maio 2018

Página em Branco: Incoerência Pessoal


Hoje acordei, e não me reconheci. Procurei em cada canto aqui dentro alguma coisa, alguma parte que fizesse sentido.
E acabei percebendo que além de perder a cor, eu perdi a coerência. 
Procurei nas minhas fotos algo que significasse. 
Algo que falasse sobre mim. 
Que sussurrando contasse meus defeitos e qualidades, mas nem um bilhete quase apagado encontrei. 
Tentei me omitir diante dos meus problemas, e da minha realidade que aos poucos me sufocava. 
Mas, me afoguei em meus próprios medos. 
Coloquei pra fora um mar de água salgada, feito de pequenas gotas que carregavam tamanho fardo dentro delas.
Desabei sem nem acreditar que poderia me reconstruir. 
Gritei, e ecoei dentro de mim. 
Não me havia mais forças pra soar pro mundo. 
De tanta dor, me neguei a ouvir a minha liberdade cantando pela última vez. 
Me fiz casa de agustia, onde entre soluços eu tentava emitir um pedido de socorro. 
Demonstrar que eu precisava de ajuda.
Refleti sobre ter me doado, e não quis ter transbordado menos. Apenas, me enchido mais de coisas que me faziam viva. 
Átomo, infinito, ser.
Conjunto de matéria negra desconhecida e mar desbravado por todos.
Humana, logo errônea.
Eu.

Desacreditada, expirei. E percebi o quanto muitos queriam vida. 
Esgotada, enxerguei. E notei o quanto muitos queriam ver.
Atenta, ouvi. E notei os gritos daqueles que como eu, fingiam um bem que não existia internamente.
Poeta, senti. E tatuei na alma os lamentos daqueles que assim como eu, foram silenciados.
Assustada, levantei
O tempo (meu vizinho), riu, e me disse pra correr. A cada dia ele andava mais apressado e nos dando menos dele. 
Curiosa, voei, querendo sentir o mundo como nunca antes havia sentido. 
E finalmente, encontrei.
Dor, término, recomeço. 
Fim do túnel, luz, infinita
eu.


escrito para todos aqueles que se perderam em si mesmos.

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